quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Animais de laboratório


Undercover Investigation Reveals Kitten Deaths and Other Animal Suffering. Learn More.

Sou testemunha do desrespeito que se tem aos animais em algumas faculdades, não sei se em todas, mas naquelas por onde passei. Incrivelmente rodeada de pessoas inteligentes, por vezes, génios académicos, fui sempre uma voz solitária nos meus protestos. Para aprendermos sobre circuitos neuronais e impulsos eléctricos, sacrificavam-se ratos, um por cada três alunos. Verificava que uma sala daria à vontade para mais três alunos (pelo menos), o que pouparia a vida a cinco ratos. Mas não se dá valor à vida animal. Vi também colegas que desistiam de doutoramentos que envolviam macacos, por não aguentarem as questões morais que isso lhes impunha, e falavam das atrocidades desnecessárias a que assistiam. Requer muita coragem desistir de um doutoramento a meio. Vi muitos engolirem e conformar-se em nome da ambição. Vi também uma assistente muito zangada por ter que matar um porquinho da índia, só para termos uma aula sobre o sistema auditivo. Mas ao menos foi um porquinho da índia para a turma toda. Os porquinhos da índia devem sair mais caros. Tenho duas amigas chinesas médicas que me contam que na China treinavam as operações em cães mal anestesiados. Uma delas lembra as lágrimas amargas que lhe corriam pela cara enquanto operava um cão que acordou a meio da operação. Quis parar, mas os professores obrigaram-na a continuar sob pena de expulsão. Ela ainda chora quando pensa nos sons de agonia e dor. O cão morreu. Outra colega cortava as cabeças de pintainhos vivos com uma tesoura. Se lhe fazia impressão? Não, tinha que ser para acabar a tese de mestrado. Essa mesma salvou uns ratos de laboratório e levou-os para casa, depois de acabado o estágio. Foi para compensar os pintainhos. Outra, no fim de semana que sucedia à matança dos ratos, ficava em depressão. Esta matança mensal não levou a publicação e então mudou de laboratório. Quantos ratos? assim de cabeça perdeu a conta. Eu também já trabalhei com animais, adormecíamos os dois ao fim de semana, o rato dentro da máquina e eu, em frente ao computador, naquelas horas que durava a experiência mais monótona do mundo. Apaziguava-me ver os meus ratinhos sossegados por serem velhinhos (em idade de laboratório, que é uma vida curta) e ninguém lhes querer pôr eléctrodos às cores nos cérebros a sairem pelas cabeças, como via noutros ratinhos zombies de gaiolas vizinhas. Devíamos estar gratos a estes animais que se sacrificam contra a sua vontade para publicarmos artigos, subirmos nas carreiras, aprendermos anatomia e raramente, salvarmos vidas humanas. Sou a favor de regulamentos rigidos, fiscalização, responsabilização, sempre que se tratam de vidas. Não sou contra a experimentação animal, sou contra o que se faz em nome da ciência. Contra o desrespeito pela vida, seja esta de quem for.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Outros muros


"Ramchand Pakistani is derived from a true story concerning the accidental crossing of the Pakistan-Indian border during a period (June 2002) of extreme, war-like tension between the two countries by two members of a Pakistani Hindu family belonging to the 'untouchable' (Dalit) caste, and the extraordinary consequences of this unintended action upon the lives of a woman, a man, and their son.

The singular theme of the film is how a child from Pakistan aged eight years learns to cope with the trauma of forced separation from his mother while being held prisoner, along with his father in the jail of a country i.e. India, which is hostile to his own, while on the other side of the border, the wife-mother, devastated by their sudden disappearance builds a new chapter of her life, by her solitary struggle for sheer survival.

The film portrays the lives of a family that is at the bottom of a discriminatory religious ladder and an insensitive social system, which is nevertheless tolerant, inclusive and pluralist. The irony is compounded by the fact that such a family becomes hostage to the acrimonious political relationship between two neighbor-states poised on the brink of war."

"The film maintains a politically correct stance by not taking sides of either country (India or Pakistan), religion (Hindu or Muslim) or creed (untouchables or upper class) and has a very secular outlook. Also the narrative intentionally steers away from justifying the rights and wrongs of the legal system and has a peripheral approach to the imprisonment of the protagonists, thereby showing them as fall guys of fate."

domingo, 8 de novembro de 2009

Um Desaniversáriooo Feliiiiiiz!!!

Sou muito despassarada, distraída, enfim, um desastre. Foi assim que deixei passar o primeiro aniversário deste cantinho maluco. Mas é que nem percebo como é que já passou um ano, nem sei o que disse para aqui, nada de jeito, o que vale mesmo a pena são os posts da jellyfish e os documentários (o resto só vale a pena, mas não mesmo, mesmo a pena). Sério. Um ano a escrever muitas patetices, e uns excertos interessantes de outras pessoas, dessas que sabem o que dizem. Bom, mas como o objectivo era que as pessoas vissem os documentários, se isso resultou já fico contente (viram? viram?). E como já passou, aqui vai uma das minhas celebrações preferidas, daquelas que celebro sempre que ando menos distraída, hoje é dia de desaniversário do blog maluco Alice in My Head! Um Desaniversário Feliz para todos :-)

Um bom desaniversário para mim!

Para quem?

Para mim!

Para ti!

Um bom desaniversário para ti!

Para mim?

Para ti!

Oh sim!

Vamos cumprimentar-nos com uma chávena de chá!

Um desaniversáriooooo paaaraaaa tiiiiiii!


(...)

Entao hoje é o meu desaniversário!

Ai é?

Que coincidência!!!!!

Bem, nesse caso...um bom desaniversário!

Para mim?

Oh sim!

Um bom desaniversário!

Para mim?

Sim, sim!

Agora sopra a vela mas nao queimes o nariiiiz!

Um desaniversáriooooo feliiiiiiiz!!!!!!

sábado, 7 de novembro de 2009

recycled trash robots


Se fosses um rapaz

Por vezes conheço pessoas mulheres que me fazem ter pena de não serem pessoas homens. São tão fabulosas que só gostava de encontrar pessoas homens assim. No entanto, obviamente, raramente sinto isso em relação a pessoas homens. As pessoas homens são geralmente pessoas homens, e quando muito, e aqui as estrelinhas brilham, penso, ainda bem que és uma pessoa homem (excepto quando são pessoas homens gays e aí só penso "ora bolas").

Por outro lado, inúmeras vezes me têm dito, falas como um homem. Nunca percebi o que isso quer dizer (ou faco um esforço para nunca perceber). Os homens dizem-me isto, em tom de elogio, quando estou empolgada e envolvida numa qualquer discussão sobre politica ou história, ou, incrivelmente (é preciso muita lata) sobre livros. Acho ofensivo. Muito. Sinto-me como um preto se sentiria quando ao discutir politica, história, ou, incrivelmente (é preciso muita lata) livros, lhe dissessem falas como um branco. Talvez se não tivesse opinião, isso encaixasse mais nos seus "pré-conceitos". É pena. É pena que existam pessoas homens a sentir isto. Infelizmente, há muitas pessoas mulheres a sentir o mesmo. E destas pessoas mulheres também penso, é pena seres uma pessoa mulher.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Por vezes

o Miguel Sousa Tavares acerta mesmo na mouche:

"Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!

Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos."

Ler o resto aqui, no Expresso online.

(Obrigada Sonia por me alertares para esta excelente crónica :) )

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O único filme lamechas

em que não pensei "meu querido dinheirinho".

Lições na minha vida #2

3. Há excepções à lição 2: as pessoas "mea culpa". São poucas, mas existem. Tenho uma amiga americana com quem fui pela primeira vez a um lago no raro acontecimento que é o Verão na Alemanha. Quando cheguei ao lago fiquei apreensiva por este ter patos. Fiquei a pensar se havia de nadar num sitio em que os patos faziam as suas naturais necessidades, aquilo não era o Oceano, eram águas paradas, enfim, pensamentos patetas que me passaram pela cabeça. Hesitei antes de me enfiar na água e disse à minha amiga, não sabia que isto tinha patos. E ela respondeu "desculpa", "desculpa, os lagos têm patos, desculpa-me". Eu abracei-a, disse-lhe "não sei se te desculpo pelos lagos terem patos" e ri-me muito. Há excepções à regra, são as pessoas "mea culpa".

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lições na minha vida

1. As coisas nem sempre são o que parecem, mas são muito mais o que parecem do que o contrário. A questão está na aptidão para ver as coisas como elas são, e, acima de tudo, na capacidade de acreditar no que se vê.

2. Quando alguém nos conta algo comprometedor sobre si, como uma infidelidade, uma inveja, uma culpa, podemos acrescentar, à vontade, três vezes mais ao que escutamos. Sem hesitações, porque a verdade é, nestes casos, sempre pior do que o que nos contam.

Gosto de pessoas sem tretas

Doris Lessing quando recebeu a noticia do prémio Nobel 2007:



E, só por isto, o livro dela (Under My Skin) que comprei em Londres, já subiu de lugar na "lista de livros para ler".
Noutra entrevista ouvi dela a expressão "hysterical rubbish" que achei deliciosa. "Hysterical rubbish" faz sem dúvida parte do status quo do mundo de hoje (embora ela falasse de outros tempos). Lembra-me o actual jornalismo português, alguns canais de televisão, e um incendiar consequente das mentes menos criticas. Tudo muito cheio de "hysterical rubbish". Expressão deliciosa, sim senhora.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Custa

Estamos em Novembro e os meus amigos em Lisboa ainda me falam de idas à praia.

domingo, 1 de novembro de 2009

Reflexão para hoje

(...)
Pois, os chineses e os indianos mudaram a sua dieta alimentar. Mas isso não é uma boa notícia? E depois há as colheitas catastróficas, resultado das alterações climáticas. E isto é dito como se as ditas alterações do clima fossem culpa do clima, ele próprio. Não, que hoje regressem as sublevações da fome no Egipto, no México, na Índia, em Moçambique ou no Haiti não é obra do divino espírito santo; que mais de 30 países estejam à beira do colapso alimentar não é um “desastre natural”. E muito menos uma realidade inexplicável.

Veja-se o caso do Haiti. Há 20 anos era um país auto-suficiente em arroz, a preços razoáveis. Em 1995, o FMI impôs um plano de liberalização económica, com desarmamento alfandegário drástico. O mercado haitiano foi invadido por arroz proveniente dos Estados Unidos e altamente subsidiado. Resultado: hoje o Haiti importa 80% do arroz que consome e ao dobro do preço anterior.

Este é, por isso, um tempo para aprender lições e não as esquecer.

A primeira é que sempre esteve errado o credo desenvolvimentista assente na destruição da pequena e média agricultura de subsistência e na sua substituição pela produção intensiva para exportação. O dogma do comércio livre que, na prática, funciona como liberalização unilateral a adoptar pelos mais pobres e exportação em massa dos excedentes subsidiados pelos mais ricos só ajudou a pôr essa falência em evidência, se necessário era.

A segunda lição é que, de facto, o capitalismo não tem fronteiras. Só que, desta vez, as fronteiras que desapareceram foram as da decência mínima: se for preciso condenar milhões à fome para obter ganhos na bolsa, não há que hesitar. Sobretudo se esses ganhos forem suficientemente tentadores para o capital financeiro poder compensar as perdas do subprime.

Terceira lição: é claro que a fome exige medidas de urgência. Quando o Presidente do Banco Mundial avisa que os preços dos produtos agrícolas vão continuar a subir durante os próximos 7 anos, ele sabe que não será nunca em menos do que isso que se corrigirão as causas profundas da dinâmica galopante da vulnerabilidade alimentar no mundo, sobretudo no mundo pobre.

Mas atenção às armadilhas: foi sempre em nome da urgência – e da salvação dos pobres, pois claro – que se decretaram os choques liberalizadores, a extinção das agriculturas tradicionais e outras modernizações civilizadoras. Como é alegadamente em nome da urgência – e da salvação do planeta, pois claro – que Sócrates quer ser o campeão europeu da incorporação de bio-combustíveis nos transportes, mesmo que à custa do incentivo perverso dado – prometeu ele – a Angola e a Moçambique para serem os nossos fornecedores.

Se algo de positivo há nesta ameaça de catástrofe é ela forçar-nos a repensarmos a pequena e média agricultura como uma prioridade e não como um anacronismo. Talvez esteja na altura de percebermos que a luta pela preservação das hortas no centro das nossas cidades e a luta contra a liberalização mundial do comércio dos produtos agrícolas nos termos em que a quer a OMC não são lutas simétricas mas gémeas.

José Manuel Pureza"

José Manuel Pureza é professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e especialista em Relações Internacionais. O texto foi escrito a pedido de Daniel Oliveira (tema: a crise alimentar no mundo), publicado em Maio de 2008, para o Arrastão.

sábado, 31 de outubro de 2009

tragic story with happy ending

Here is Regina Pessoa's amazing "História Trágica Com Final Feliz" (2005). It tells the story of a young girl who doesn't fit in the small town life because she is different from everybody else: She has a tiny heart, which has to beat a lot louder than anyone else's. Unfortunatelly, it beats so loud that it disturbs everyone else.


The short film has won many prizes, notably The Annecy Cristal Award International Animated Film Festival in 2006. I especially like the part at the end, where the credits appear and fragments of the empty life of the townspeople is illustrated. The story is not as powerful without that.

Visit the website of the National Film Board of Canada, where you can also purchase the DVD and find interviews with the artist, wallpapers and other goodies.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ninguém tem pena

Ninguém tem pena de uma borboleta, de insectos desajeitados que por grande azar das suas vidas nos entram pela casa dentro e lá andam a esvoaçar apavorados batendo contra paredes, vidros e no pior dos casos lâmpadas acesas a ferver. E eu lá ando de frasco na mão a tentar apanhar a borboleta que muito assustada e sem forças embirra em cair para trás de móveis, para cima do roupeiro, para baixo da cama. Bichinha, é como eu lhe chamo, bichinha vem cá, deixa-te apanhar. Deixa-me restituir-te a liberdade. Mas ela não entende português, é alemã, e o meu alemão, jesus, não chega para falar com borboletas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Eu estou aqui

Estou exactamente a 91 cm de mim.

Skhizein (Jérémy Clapin,2008) from Stephen Dedalus on Vimeo.


Skhizein foi realizado por Jérémy Clapin e ganhou uma lista incrível de prémios. Muito bem merecidos.
Aqui o site oficial de Skhizein.

O fundo da linha



Fiquei a par da recente campanha da greenpeace Portugal graças à sua divulgação no blog Sustentabilidade não é Palavra é Acção. Peço-vos para irem ao site da greenpeace (clicar no link acima) e pedir aos supermercados que assumam as suas responsabilidades garantindo que não vendem espécies capturadas a grande profundidade em alto mar. A pesca industrial é destruidora do planeta e não é sustentável.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Só tenho a dizer isto

Quanto à polémica do Saramago e o que ele disse e a Bíblia e as telenovelas: não há pachorra para cabeças beatas.

O mal de Portugal são as cabeças beatas.

domingo, 25 de outubro de 2009

Hoje sonhei com um amor antigo

E doeu. Doeu porque foi um sonho. Sonhei que o reencontrava, um geólogo a trabalhar sabe-se lá porque carga de água na Zara (adoro sonhos surreais). E abraçamo-nos. E dissemos o quanto estávamos felizes de nos termos reencontrado. E lamentámos termos perdido os contactos um do outro (esta parte é infelizmente real). E fomos tão felizes, só queríamos estar juntos, perto um do outro. Riamos com os olhos, adoro isso. A felicidade do reencontro foi tão real que só de me lembrar, sinto um calor no coração e sorrio. Não queria acordar. Aliás, para mim aquela era a realidade.

Isto, até o meu pai entrar na historia como capitão de um ferry e eu ver na sua expressão uma certa indignação de questionamento quanto ao meu suposto namorado alemão (nem nos sonhos o meu pai sabe os pormenores do que se passa comigo). O engraçado é que tudo isto já aconteceu, de alguma forma, na minha vida. Com pai e tudo.

sábado, 24 de outubro de 2009

the psychiatrist


Who is the therapist and who is the client? This is a wonderfully poetic and surreal animation by Emily Howells, called "The Psychiatrist". The oddball paranoid versifier is voiced by Roger McGough who speaks a fantastical, fearful and funny imagery. A Must-See!


Previously published by jellyfish on her wonderful blog jellyfish tales

Concurso das construções mais feias















Costa da Caparica, Outubro 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Na feira de velharias
















"Mars 1974" é uma ilustração de autor desconhecido (não está assinado). Adoro quando encontro coisas especiais, pequenos tesouros como este :)

(é favor clicar na imagem para ver em pormenor)

toy on wood


London-born and U.K. and U.S.-trained visual artist Robert Bradford makes use of discarded plastic items, (mainly toys but also other colorful plastic bits, such as pegs, combs and buttons) to construct large sculptures. Basically he recycles toys and creates new ones! Pretty original, I would say ;)

Motivação a meio da semana

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Universo ouve lá esta*

Estava aqui a pensar nisto da inveja e lembrei-me de uma conversa que tive com uma amiga há uns tempos. Ela queixava-se da desarrumação do dito cujo, do seu egoísmo, egocentrismo, enfim uma lista de problemas com origens educacionais, porque por acaso até acho que não foram os genes, que ele no fundo é bom rapaz (ha ha ha). Especulava-se que ele devia era mudar-se para casa de outro amigo nosso que aquilo seria uma party de serem tão parecidos. E então pensei, porque é que o Universo se põe a fazer misturas? Porque é que os arrumados não calham com os arrumados, os egoístas com os egoístas, os infiéis com os infiéis, os fieis com os fieis, etc. Porquê? Por vezes dava opção de escolha, se alguém desarrumado quisesse alguém arrumado e por destino o contrário também existisse (alguém arrumado querer alguém mais relaxado - nunca ouvi tal coisa mas se calhar existe) juntavam-se esses dois trapinhos (um neste caso, que o outro ficava mais a olhar). Para os outros que não se querem misturar na mesma casa com seres de outro planeta, então pronto, nada de misturas. Imagino muitas pessoas egoístas a quererem companheiros altruistas, mas isso até iria motivar mudanças de comportamento mais eficazes do que qualquer psicoterapia. Um egoísta só para se ver livre dos outros egoístas, faria tudo para se modificar e tornar-se menos egocêntrico. Aos poucos passava a poder estar com altruístas do mesmo nível. Tudo sem discriminação, total liberdade de sermos quem somos. Eu quero ser egoísta, egocêntrica e infiel e sou. Só que, claro, não posso esperar que o meu companheiro seja o oposto. O mesmo para alguém altruísta e fiel. Quem quisesse trocar as voltas, tudo bem, desde que houvesse um oposto nas mesmas condições, sendo que, em principio, os altruístas não teriam qualquer problema em arranjar o oposto e os egoístas demorariam talvez mais tempo. Liberdade e respeito pela individualidade, mas com justiça. E o amor não ficaria de lado, apenas que esta coisa do destino e química aleatória (há várias razões para assim ser, uma delas é a genética, e para isso teríamos realmente que encontrar uma solução) passava a ser apenas parcialmente aleatória. Aleatória dentro das mesmas caracteristicas e os que querem escolher opostos. O chamado "destino" e a química (aquela coisa que nos estraga os planos) que estão obviamente fora das nossas mãos, assim continuariam. As regras do Universo (esse mistério) é que mudavam. Isto é uma ideia divinomilionária! Todos os deuses vão querer a patente. A sério Universo, eu até ajudo a organizar o esquema. Só nos baseamos em caracteristicas de personalidade, tudo o resto pode ser à mistura que é para motivar a harmonia entre os povos, culturas, religiões e não-religiões. Pelos menos metade dos problemas relacionais estariam resolvidos.

Agora em relação a isto da inveja, os invejosos invejariam os invejosos, invejar-se-iam todos uns aos outros numa big happy family e deixavam os outros que não percebem nada do assunto em paz. Seria de certeza justo.

(...Ando a ler demasiados livros de utopias.)

* se faz favor

A inveja

Cresci sem conhecer esse sentimento que andava na boca das pessoas chamado inveja. Sempre pensei, aliás, que a inveja seria um mito histórico, ou produto da imaginação fértil dos humanos, assunto abordado nos contos de fadas para crianças, que tinham o seu quê de crueldade e fascínio. Também matéria de telenovelas, desculpas para histerias e mentes levadas ao exagero. Por isso, quando me diziam que esta ou aquele tinham inveja de mim ou de outra pessoa, eu incrédula, achava tudo uma telenovela (das portuguesas) e passava à frente. E quando digo cresci assim, quero dizer que cresci muito (bem, o máximo que os meus genes permitiram o que não foi realmente muito, os genes da altura foram mais para a minha irmã), quero dizer que cresci até estar em idade de gente crescida, assim de gente que acaba cursos, trabalha, torna-se independente e até vai viver noutro país. Estão a ver onde é que vai a minha noção de crescida.

Aprendi o que era a inveja há cerca de três anos (vai fazer três anos em Novembro). Aprendi na pele como todas as lições que são aprendidas tarde demais. Aprendi que a inveja mora em quem menos se espera. Em quem menos se espera, no meu caso ,que devo ser um bocado parva e ingénua (factos confirmados pela minha incapacidade de alguma vez ter visto ou acreditado na inveja). Há três anos perdi um amigo, um dos meus melhores amigos de sempre. Soube da noticia a caminho de um jantar. Parei de andar, parei de respirar, parei de falar porque os soluços e a minha falta de ar não me permitiam articular palavras. A muito custo e sem saber bem para onde me virar (as pessoas na rua estavam especadas a olhar para mim), arrastei-me para casa da amiga que dava o jantar. Acredito que o meu estado era deplorável, os olhos inchados, cara vermelha, soluços, dificuldade em respirar, tremia por todo o lado, não estava a pensar sequer, queria apenas chegar a um sitio onde me pudesse sentar e chorar à vontade. A reacção de uma amiga nessa noite foi a revelação da inveja na minha vida. Aprendi naquela noite o que era a inveja. Já não é a primeira vez na minha vida que uma desgraça vem acompanhada de uma lição amarga, isto deve acontecer a muita gente, menos aos abençoados com a estrelinha da sorte (existe sim!). Claro que na altura fiquei apenas confusa, intrigada, magoada, só mais tarde juntei as peças do puzzle, frases ditas anteriormente que nunca me tinham feito sentido, intenções menos claras, piadas estranhas em frente a pessoas, comportamentos obscuros, e fez-se luz (ironicamente claro). Pumba, tinha visto a inveja à minha frente. Não sei bem se é verde. Talvez seja assim de um verde alaranjado. E é uma coisa lixada. Hoje em dia sou mais perspicaz à inveja, mas sendo geneticamente incapaz de a sentir, continuo com grandes dificuldades em a reconhecer. Pior, não sei o que fazer com ela. Continuo amiga da invejosa (credo, até me custa chamá-la assim), desconfio até que sou amiga de mais do que uma invejosa. E não queria, mas é que não sei o que se faz com estas coisas. Não dá para chegar ao pé das pessoas e dizer "Olha, por isto e por isto acho que sentes inveja, é melhor veres um médico", mas seria bom que desse. Seria bom que existissem terapias para a inveja. E calculando eu que a inveja esteja ligada a problemas de auto-estima, e para isso até há terapias, também não é fácil de explicar a alguém todas estas ilações. Até porque gosto das pessoas e tenho tendência a perdoar-lhes coisas das quais me parece que não têm muito controlo ou consciência. Acho até que estas pessoas gostam de mim, o que as deve irritar ainda mais e quiçá aumentar a inveja (é assim que funciona?). Curiosamente, foi uma das minhas amigas com ataques de inveja que me avisou "cuidado ecila que és uma pessoa que atrai invejas" (os entendidos percebem destas coisas). Eu? Mas porquê eu? E deixar-me em paz, boa? Também se lembram de pôr a cabeça a criar desculpas para embirrar com as pessoas que obviamente invejam (agora que já sei o que é, vejo-as a fazerem isto a outras pessoas), sem tomarem consciência (acho). A inveja é realmente muito lixada. Tinha dispensado conhecer tal coisa, obrigadinho. Qual será a base genética da inveja? Porque é que algumas pessoas a sentem e outras não? E o mais importante de tudo, o que se faz com ela?

Mensagem a todos os que sofrem de inveja: Curem-se! Porque não há pachorra.

"Envy is the ulcer of the soul" Socrates (filósofo grego, 469 BC - 399 BC)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Invisible people

"Jin Young Yu (JYY): My works are about the “invisible people.” I wanted to talk about the stories of the people who said, “I definitely don’t know them, but they knew me so well. They said they worked with me for over a year. To me, that person was a transparent existence that neither did or didn’t exist.”

It was too simple to define them as “the alienated people” or “the depressed people”. Instead, I thought that I, or we, could easily be one of them. My works are about people who, instead of getting along with others, choose to keep a distance from them, and be invisible or be left alone unconcerned. Instead of trying to fit into the world, they climb into a space of their own and reject other people’s intrusions.

My works feign expressionless faces. They are holding their tears back and swallowing them, or they try to put on a cool face despite the traces of tears on their faces. Or simply, they seem to have something hiding behind the hurried pretense of their expressionless faces. Looks on their faces that don’t make people approach them with ease - a subtle look of suspicion and caution keeps others from easily approaching them."

Podem ler o resto da entrevista a esta extraordinária artista da Coreia aqui






























"My figures express the loneliness of people living today. The transparent body means a perfect shield that makes it possible to hide itself anywhere, while the crying face represents a warning: ‘Don’t come towards me!’ I intend to remind viewers of the loneliness of people in this modern society, where there is little of true communication." And as for an overall theme? "I want to get away from the plastic smiles and fake facial expressions".

Mais imagens e comentários aqui

Vocês não sabem

mas eu já ando de cachecol e gorro de lã. GORRO DE LÃ.

domingo, 18 de outubro de 2009

A mania da Maria

de lavar a louça à mão (com detergente!) antes de pôr na máquina confunde um pouco o pobre do José, seu marido, que passa um mau bocado até perceber qual a louça que está suja e qual a que está limpa. Acreditem ou não (a foto é para os que não acreditam) a solução para tão angustiante confusão foi um post-it da Maria a indicar o correcto estado da louça, coisa que não é visivel a olho nu (nem a teste do algodão). Eu ri-me tanto, mas tanto, que foi um alivio a Maria ainda estar a caminho de casa e não me ver naquela bela figura de nem conseguir suster a máquina fotográfica direita tal não eram as gargalhadas. Já o José parou de pensar há muito, e só se deu conta da loucura total quando me viu rebentar em sonoras gargalhadas até as lágrimas me escorrerem cara abaixo. Aí ele começou a rir também. Só assim sei quando posso usar a louça, dizia ele. E eu ria-me ainda mais. Depois fiquei a sentir grandes remorsos de me ter rido assim. O que é que querem, não me contive.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sabem aquela canção

"De volta pro aconchego" da Elba Ramalho?

Literalmente não se aplica à Alemanha.



















P.S. Reparar nos sinais de menos à frente das temperaturas mínimas

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Hoje conheci uma pessoa brilhante

não, não tenho mais nada para dizer. Era só isto.

TV portuguesa

Não sei como é possivel que uma caça ao javali na região do Douro (estamos em que século mesmo?) e as tendências da moda do Inverno sejam noticias de um jornal nacional no horário nobre. It's sic(k).

sábado, 3 de outubro de 2009

fashion goes tim burton


Just in time for Halloween: the October issue of Harper's Bazaar is dedicated to the world of Tim Burton characters (picture source and more pictures here) and coincides with Burton's retrospective at New York's Museum of Modern Art. Directed by Burton himself, photographed by Tim Walker. Enjoy:

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

the blind painter

Eşref Armağan (born 1953) is a blind painter of Turkish origin. He was born blind to a poor family in Turkey, and has been drawing or painting since childhood. In 2004, he was the subject of a study of human perception, conducted by the psychologist John Kennedy of the University of Toronto (watch the video below). His story has revealed that the brain has the potential to adapt and rewire itself according to individual needs. The brain's ability to reorganize its functions based on new information and experiences is defined as neural plasticity. Read more here.


I am so amazed at that last part, when he managed to draw the perspective. It's incredible...how can one know it, when one has never seen it? Yes, one can feel the sides of the building (even on that small-scale model), but how does one know they converge to the horizon, if one has never seen the horizon? The touch does not contain that information and cannot inform one on what the eyes would have seen form a certain point...

taobot the robot


(reposted from NeochaEDGE; picture source & more pictures here)

These wonderful illustration belongs to Beijing-based Little Kong and is based on a story about a robot named "Taobot" (model number: M-TAOBOT-05172007). He is a robot made from a mixture of metal and playdough. Taobot has lived for hundreds of years, and been in hundreds of short stories, but is doomed to play the role of a tragic figure in each. Some of these roles include: a fanatical writer who writes until he becomes rusted with time; a hanger for laboratory cloaks in an experimental lab; a nerdy college student who is not able to feel emotions; a secret admirer of Little Red Riding Hood; a janitor who is a wonderful poet and climbs to the roof to watch the moon; a fireman who makes friends with kittens; a mailman who wholeheartedly delivers letters to the prince of outer space, a forgotten nursemaid who becomes a lumberjack, a heartless murderer, etc.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Todos deviamos ver

Vi o filme A Era da Estupidez. Eramos uns dez numa sala de cinema enorme e vazia. Metade desses dez eram estrangeiros. Acho que mesmo que não sejamos estupidos estamos sem dúvida na era da estupidez.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A era da estupidez

The Age of Stupid will launch in Portugal on September 22nd 2009 as part of the Global Premiere. A Green Carpet Premiere with a live debate will be followed by the film to an audience of environmental journalists as well as emblematic guests connected to environmental issues.

AlcabidecheCascais
Porto


The Age of Stupid Global Trailer w/Brazilian Portuguese subtitles from Age of Stupid on Vimeo.

Site

(desculpem não ter traduzido mas preparo-me para apanhar o avião que me levará às praias de Portugal - isto sou eu a dizer que ainda não fui à praia este ano e que preciso de ir senão não aguento mais um Inverno alemão - amanhã, irei à inauguração do filme Age of Stupid em Lisboa)

domingo, 20 de setembro de 2009

O que se passa hoje algures

Estima-se que mais de 27 milhões de pessoas no mundo sofrem nas mãos do negócio sujo de tráfico de humanos. Literalmente são escravos: desde trabalho infantil, a exploração de imigrantes, ou a prostituição. 24% das vitimas do tráfico humano são crianças, 66% são mulheres e 79% do total das vitimas são sujeitas a exploração sexual (dizendo assim não dá bem para entender o que isto significa, é inimaginável). A ideia é tão estranha na nossa Europa moderna que dificilmente compreendemos como é que alguém cai nas mãos de tráfico humano. É por isso que vos mostro este documentário. Atentem bem para onde é que a maioria das vitimas de tráfico humano com fins sexuais se destinam (não, não é a Turquia).



""Sex Slaves" is a gripping documentary expose inside the global sex trade in women from the former Soviet Bloc. The film takes viewers into the shadowy, multi-billion dollar world of sex trafficking. Part cinema verité, part investigation, Sex Slaves puts a human face on this most inhuman of contemporary issues. From the villages of Moldova and Ukraine, to underground brothels and discotheques in Turkey where many women are trafficked and forced into prostitution, we witness first-hand the brutal world of white sex slavery"
Aqui poderão aceder a actualizações sobre os destinos das mulheres entrevistadas no documentário.

district 9

"District 9" is one of the most original and tasteful SF films I have seen. Watch the trailer here.

It is set in an alternate timeline in director Neill Blomkamp's native South Africa where insectoid aliens have landed in a giant ship. However, they are not portrayed as evil creatures, trying to take over or destroy the human race and their planet. On the contrary, they arrive ill and malnourished, as refugees, and are forced to live in inhumane conditions and poverty in a slum, isolated from the rest of the (Johannesburg) population. They are derogatively called "prawns" (derived not from the shellfish but from the Parktown Prawn, a giant cricket native to Johannesburg). Here is the rest of the story without revealing too much: When a special agent is accidentally exposed to a mysterious alien substance, he finds himself a hunted man and this suddenly changes the entire perspective.

Even though it was a low-budget movie, I believe they made one of the most outstanding SF films of the last years, one that can be admired from a technical (the CGI is amazing!), dramatic (great acting), narrative (with a few drawbacks), and educational point of view (the movie tackles issues like xenophobia, the corruptive potential of power, the inability of people to learn from history or to see beyond their own side of the table, the dark side of human capabilities when confronted with despair, media manipulation, poverty and exploitation of the weak etc. The metaphorical connotations cannot be ignored: starting from the apartheid history (the signs of the movie and of the preceeding marketing campaign reminded me so much of the apartheid signs) up to recent issues: Interestingly enough, the film shoot coincided with attacks and killings of Zimbabwean refugees living in the shanty towns.

I believe that the movie tries to show that unless one is forced to see through the other's eyes, one might never understand the limits of one's own perspective.

source 1, source 2

Check out the D9 website.

sábado, 19 de setembro de 2009

Up

"Up" foi uma surpresa. Para nós adultos (oh para nós tão adultos que somos) o filme começa por não convencer. Lembro-me de pensar pois, pois, uma casa a ser puxada por balões. O cérebro dos adultos consegue ser uma seca. Mas entretanto o filme conquista-nos pelo humor, como a maioria dos cartoons. Interessante como rir nos faz baixar as armas. No fundo a mensagem é clara, quantos de nós vivemos agarrados a sonhos antigos, a coisas que sempre quisemos fazer desde pequenos, sonhos que nos deixam cegos para ver a realidade e as possibilidades de novos sonhos? Pois, não sei quantos de nós, eu por acaso não sou nada assim, tenho uma péssima memória, lembro-me lá de sonhos antigos. Bom, mas o que queria dizer, é que conheço algumas pessoas assim. Que me dizem que se não conseguirem, sei lá, tirar um ano para navegarem no mar, nunca se irão perdoar ("sei lá" é como quem diz que conheço uma pessoa exactamente assim). E vivem nesta angustia. Calculo que irão morrer nessa mesma angustia, porque a vidinha de gente grande é um pouco mais chatinha que na infância e nem sempre o patrão nos diz, claro, claro, toma lá o subsidio de férias e o do Natal e vai lá concretizar esse teu sonho, manda postais sim? O filme mostra-nos a necessidade de "deixar ir", olhar para o presente, para as pessoas no nosso presente, e investir em novos sonhos. Achei isso maravilhoso! Além disso a palavra esquilo entra muitas vezes, e já é sabido que eu gosto desse bichinho. Atentem na piada do esquilo que é genial. E mais, antes do filme per se, mostram uma animação sobre como se fazem os bebés que é soberba (para quem não sabe como se fazem bebés é indispensável). Não cheguem atrasados. Recomenda-se!

Gosto mais do Klee que do Twitter


The Twittering Machine de Paul Klee, 1922

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pérolas das legislativas 2009

Para quem anda à procura de resumos dos programas eleitorais (eu! eu!) encontrei quem se tenha dado ao trabalho de pôr todos os links num post. São catorze partidos. Obrigada Paulo! Irei ler todos para me decidir (isto digo eu agora).

Começei pelo Partido Democrático do Atlântico. Tem um nome tão bonito, cheira a mar e isso é sempre positivo (excepto talvez em casos de tsunamis). A data está um pouco desactualizada, estamos em 2009 e não 2008. Não é importante, digo para mim, é apenas falta de meios (cheira-me também a falta de jovens, começo a torcer o nariz). E depois dou de caras com esta pérola:


err...
NEXT!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O corpo das mulheres

Nos comentários do post "Mudar o discurso", ntozei deu a sugestão do documentário "O corpo das mulheres" que vi ontem à noite. Muito a propósito e muito obrigada.

Aqui podem vê-lo na integra (25 minutos) com legendas em português (obrigada a quem fez a legendagem) "...para contar o que está acontecendo não só a quem nunca assiste a televisão, mas especialmente a quem a assiste mas “não vê”".

"Porque é que não reagimos? Porque é que não nos apresentamos com a nossa verdade? Porque aceitamos esta humilhacão contínua? Do que temos medo?"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

fallen princesses


There is no question that storytelling has an immense value for each society and that fairy-tales are a wonderful means of educating. They can be extremely subtle and tackle many important issues in a way that can be accessible to children, but that can also be understood on different, more complex levels by adults.

But story-telling is not stories being told. And fairy tales are not Disney World. Because ever since we were kids most of us have been immersed in a meaningless, consumer-driven world. We were being fed on prescribed dreams. And then the time comes when we have to let go, to stop dreaming, to wake up and be rational. Why, in the first place? It's easy to label today's youth as "disillusioned", but aren't we all part of this outcome?

Dina Goldstein manages to take those illusory fantasies of the childhood, and expose them by placing the flawless image of Disney princesses in the middle of (sobering and many times tough) reality.

From my point of view, fairy tales can be extremely inspiring. I don't think Dina Goldstein criticizes the content or concept of fairy-tales (in fact, many original Grimm and Andersen stories - e.g. "The Little Mermaid" - had quite dark themes) but rather the wrapping.

picture via likecool (also here: see the rest of the series)

bendito machines


Bendito Machines are at the moment three short animated movies, directed by Jossie Malis, produced by Zumbakamera and inspired by oriental Shadow Play. Themes of the series are power, greed, control, consumerism, capitalism, religion, superstition etc. Issues and problems of people are mirrored in a sarcastic way to create a final one hour film (a series of 10 episodes) which is supposed to reach people all over the world, who might recognize their society and its problems. It is supposed to make people aware of and question what they usually try to forget or repress, just because it is an unpleasant, dangerous or difficult issue. If you understand Spanish, check out this interview.

Here are the links to Bendito Machine 1 and Bendito Machine 2. Here is a link to an audio discussion of Jossie Malis on the first two episodes (in English).

Here you can watch Bendito Machine 3: "Obey His Commands":


Director: Jossie Malis
Music: Sxip Shirey
Country: Spain
Year: 2008

In my opinion, it is about how new media replaces old media and how people worship everything they don't understand. The radio is replaced by the TV (sending subliminal messages), which is replaced by something resembling a computer. I the end people are actually the slaves of technology. However, the main point is that people don't seem to understand, that they should not worship each and every idol they receive but rather the entity on that mountain, who is providing them with their "toys" and which in the end destroys the city.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Pandemia Gripal



No Anovis

Got the point?




























Este é um anuncio para o "WWF save the Earth": um balão insuflável preso a um tubo de escape. Acho que transmite bem a mensagem.

Mais anúncios criativos aqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

the dark side of tradition



immersion



Mudar o discurso

O blog The Illusionists sugere a leitura do livro "Body Outlaws" que fala sobre redefinir os critérios de beleza actuais e aceitar a diversidade na beleza. Parece-me que está na altura de pensar sobre o assunto. As pressões que nos rodeiam vêm de todo o lado, cada esquina, cada anuncio, e pior, vêm das amigas que lêem revistas ditas femininas (ditas porque deviam ser chamadas de "como satisfazer os homens" e pronto ficava logo tudo esclarecido) ou vêm demasiada televisão (vai dar quase no mesmo), e que se centram em comentar a vestimenta desta e daquela, desconhecidas que entram no café e que eu não vejo, porque não são homens, logo quero lá saber como é que vestem ou como se apresentam. Se me opinarem sobre o estilo de algum homem, ainda vá, mas o que me interessa a mim as mulheres. Mas não. As mulheres entretém-se a apontar o dedo não a eles, mas a elas. A exigir o impossível delas próprias e das outras que não lêem revistas ditas femininas e que preferem muito mais comentar homens do que mulheres (leia-se eu). Mas o que é que eu quero saber se aquela tem um ar assim, assado ou cozido? Os meus assados (e cozidos e assins) são sempre com homens, a mim interessa-me que eles é que sejam giros, atraentes, bem cheirosos, bem vestidos, cheios de estilo e inteligentes (objectivamente falando). Elas, interessam-me que sejam boas amigas. É só. Calculo que eles sintam (em relacão contrária) mais ou menos o mesmo.

A sexualidade de cada um sofre muito com a falta de auto-estima, mais do que com a falta de todos os milhões de atributos físicos perfeitos que é suposto termos. Auto-estima é das caracteristicas fisicas mais atraentes. E pode ser impressão minha, mas tenho notado que esta obsessão pelo físico feminino juntamente com um diminuir da sua auto-estima física, está a adquirir contornos estranhos, até mesmo entre as minhas amigas (mais as portuguesas). Minhas queridas, está na hora de virar o disco que esta canção já enjoa, que é como quem diz, mudar o discurso. É que já basta que eles falem delas, agora tambem temos que levar com elas a falar delas? pensem lá bem.

Adorei este excerto do livro que refere uma das muitas pressões roçando a paranóia, nos tempos que correm: a depilação.

"Why had body hair become such a nemesis for women? It poses no health risks. It is not hygienic to remove; it is not cleansing to shave. Rather, the complications arise during the eradication: cuts, infections, rashes, ingrown hairs, dry skin, burning. Is this hairless ideal yet another variation on the tune of ‘let’s take the best (boobs, curves in some places, hair in very few places) and leave the rest (hips, curves in other places, hair in lots of other places)’? Or is it: ‘Let’s make women look like 8-year-olds so we can treat them as such’? Or is it: ‘If women can fill up their extra hours shaving and obsessing about their bodies, then they won’t have spare time to plot world takeover’? Or maybe it’s: ‘Women are so grossly overpaid and just don’t spend enough on pads, tampons, pantyliners, Ibuprofen, shampoos, conditioners, deodorants, that we should coax them to buy razors, waxes, creams and bleaches.’ A-ha, it’s probably: ‘How about setting another unattainable ideal for women so they will always fall short of the mark.’ I mean, what are women if they’re not feeling insecure about something or another?"

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A liberdade

A frase "Que alguém seja livre a vida inteira. Já nem me interessa quanto dura uma vida." do maravilhoso Novo Mundo mexeu comigo. Sermos livres nem sempre é fácil, mas gosto da ideia de liberdade. Acho mesmo que a minha vida, sem saber como, corre para a liberdade. Como se o Universo inteiro me pressionasse a ser livre, ainda que todas as amarras cerebrais (ou serão sociais, ou serão o mesmo) me queiram manter presa. Uma a uma vou cortando as cordas. Não tarda voarei. Eu sei. Sinto. E depois ninguém me apanha. Serei mais um ponto feito de estrelas.

(imagem daqui)