terça-feira, 17 de março de 2009

Esquilinhos


















Porque é que os esquilos são uma espécie inferior? Eu vejo-os a terem uma vida muito mais interessante que a nossa. Eles pulam de árvore em árvore, de galho em galho, e, quando novos, fazem tudo com tanta coragem, com tanta garra, com tanta liberdade... quero ser assim, um esquilo novato, vermelho vivo, sem medo do que o espera naquele galho mais distante, mas mesmo assim, voar e alcançar o novo ramo. Descobrir que a nova árvore, ui, aquela que parecia bem longe, é aquela a alcançar, aquela a que me quero agarrar, aquela pela qual vou correr em busca de aventura e novas perspectivas. Ser um esquilo não me parece de todo inferior. Parece-me como que uma nova forma de renascer, uma nova forma de aproveitar o pouco tempo sem chuva que me proporciona o dia. Sim, quero voar de árvore em árvore como os esquilos. Mesmo que isso signifique aos olhos humanos, uma espécie inferior. Gostei de esquilos em todo o lado que os vi, EUA e Inglaterra, mas os meus preferidos são os da Alemanha. Mais tímidos, não se aproximam dos humanos, mais esguios, mais ruivos, mais ágeis e mais pequenos. E têm umas orelhas felpudas que me fazem lembrar duendes. Sorrio sempre que vejo os meus duendes vizinhos, manchas pululantes no meio das árvores em frente. Só vê-los aos pulinhos já me faz feliz.

Eu bem que ponho nozes na varanda a ver se eles me visitam, mas acabo sempre por ser visitada pela pega-rabuda (sim, este é o nome oficial da espertalhona) que baptizei de James Bond (apesar de achar pega-rabuda um nome muito mais estiloso). Este agente-espião descobre onde escondo as nozes e a única coisa que a denuncia é o barulho de escaranfuchar no pacote. Se vê que a vejo, disfarça. Sério que não me surpreenderia se a visse assobiar para o ar como quem não quer a coisa (literalmente falando). Lá leva as nozes uma a uma. Está-me a parecer que os esquilos falham na inteligência, ou será na esperteza. Cerebralmente as pegas (e os corvídeos) são bastante bem desenvolvidas, e têm a capacidade de auto-reconhecimento, algo acessível apenas a algumas espécies de animais e que as crianças humanas adquirem a partir dos 2 anos. Isto não é pouca coisa para um pássaro. Mas já me desvio do assunto (que não é assunto nenhum). Gosto muito da pega Bond, mas a família esquilo (mãe, pai, filhote maluco aventureiro), enche-me o resto do dia de um sorriso interior que não há chuva que apague.

4 comentários:

sapatinhos de verniz disse...

Gostei do teu blog... passo por cá mais vezes concerteza!
Vim cá parar através do blog da Natacha!
Boa semana!

ecila disse...

Sapatinhos és muito bem vinda :-) Adoro o blog da Natacha, acho que foi o blog que me fez gostar de blogs, imagina! Boa semana também!

AEnima disse...

ehehe :)

Nao me estou a lembrar dos alemaes, porque so estive na alemanha por periodos muitos curtos. Eu gosto particularmente dos esquilinhos ingleses... do norte. Sao grandes, muito peludos, com uma cauda enorme, lindos. Quando vivia la, ao acordar, abria a janela e apreciava-os a brincarem uns com os outros, a saltar de ramo em ramo, cheio de neve, como se tivessem a brincar as cacadinhas.

Aos americanos ja nao acho tanta piada. Vivia no sul, num clima muito quente, portanto eles eram muito mais pequenos, com muito pouco pelo e uma cauda muito menor. Passeavam pelos jardins, perto das arvores, mas ja nao andavam a saltar nos ramos. Fugiam de quem passa e assemelhavam-se mais a ratos castanhos asseados.

Gostei do teu blog, irei passar mais vezes. E obrigado pelos teus comentarios no meu. Nao percebi ainda como me descobriste mas es muito bem-vinda.

ecila disse...

AEnima, também já nao sei como te descobri, muito provavelmente saltitando de blog em blog em vez de árvore em árvore ;-)