segunda-feira, 12 de julho de 2010

A minha rua

Os prédios não têm mais do que 4/5 andares e possuem jardins ou pátios interiores com árvores, para uso de todos os habitantes do prédio (um costume antigo que em Portugal, tem sido substituido por mais betão e vista para o prédio em frente). Não existem marquises, as casas com varanda são as mais procuradas e quem as tem, não as quer fechadas (apesar da quantidade abundante de chuva ao ano).

A rua em si começa com uma loja de surf que vende a minha marca preferida de roupa, seguida de duas preciosas livrarias de livros antigos. A seguir uma agência de viagens para destinos e percursos de aventura, depois um restaurante vegetariano, mais uma livraria, um jardim com dois espaços para as crianças brincarem (um para bébés, outro para mais graudos) e um espaço para jogar futebol, dois cafés com wireless, um deles serve o melhor prato de couscous que já comi. Tem, naturalmente, árvores enormes dos dois lados e pessoas a andar de bicicleta para irem a sítios (e não a irem a sítios para andar de bicicleta). No outro lado da rua, os donos do restaurante da esquina mantêm no passeio um prato com água para os cães dos clientes (muito comum por aqui), tem feito um calor a rondar os 35 graus. Os cães são permitidos em todos os parques e na maioria dos restaurantes e cafés. Estão também autorizados a viajar com os donos nos metros e nos autocarros. Todas as árvores (todas!) têm uma casinha de madeira para pássaros, colocadas pelos moradores da rua. Todos os espaços com terra em redor das árvores encontram-se cultivados com flores pelos moradores da rua. Os restaurantes não vegetarianos têm opções vegetarianas.

Na rua transversal, além de três supermercados normais, existem dois supermercados biológicos, um asiático e um turco. A 200 metros da minha casa encontra-se uma padaria biológica.

Aos Sábados, num parque para carros na rua à esquerda, organiza-se uma feira de artigos usados, em que se paga uma pequena quantia para vender aquilo que se tem a mais em casa.

Apenas mais uma rua comum numa cidade alemã.

13 comentários:

G! disse...

aí que saudades de ruas assim, civilizadas e humanas...

ntozei disse...

Quando fui chegando ao meio do texto, pensei que fosse um texto puramente literário, falando sobre uma rua dos sonhos, porque a sensação transmitida foi muito boa e uma rua dessas não parece com as daqui de onde moro!

Isabela Figueiredo disse...

Parece um sonho, parece. Desculpa lá, mas tens a certeza que não estavas a fumar nada ilícito?
Bem, se calhar não me importava de ir para aí e ser tua vizinha. Na Suécia também havia jardins dos prédios, interiores. Bem, aqui a senhora da casa de congelados também tem à porta uma malga com água para os passarinhos e a Morena gosta de ir lá beber. Eu gosto muito do meu bairro, mas o teu ainda me parece melhor. Muito, muito melhor. Beijinhos.

ecila disse...

G! é verdade, se aqui nao estivesse acho que também teria saudades :)

ntozei, sim, até custa a acreditar. A minha mae fez-me uma visita e nem ela queria acreditar. Saiu da Alemanha com uma nova visao sobre o mundo, diz que nunca mais volta a olhar para Portugal da mesma forma (ainda bem) :-)

Isabela, hahaha ia a caminho do trabalho quando me dei (finalmente) conta da rua em que vivia. Escrevi o texto à hora do almoco. Espero bem que estivesse sobria ;-) Temos muito a aprender com alguns países do norte da Europa. Seria muito mais util do que andarmos sempre de cu virado para a Europa e a babar pelos americanos...mas enfim ;-) Beijinhos ^_^

Manuela Araújo disse...

Ecila

Muito gostei da descrição da sua rua. Só mostra que por aí se está num estádio de civilização bem mais adiantado que o nosso. Nós estamos atrasados, talvez 50 anos, talvez mais.
Temos tanto a aprender com aquilo de bom que se faz no presente noutras partes do mundo, e com aquilo de bom que já se fez noutras épocas que a memória dos nossos avós deixou.
Urge deixar de cometer erros que outros já cometeram e pelos quais todos pagam. O preço das más opções é hoje demasiado caro pois compromete o amanhã.

Obrigada, vá-nos ensinando o que há de bom por essa sua outra terra.

Que eu não desisto de Porutgal!

Beijinhos

Manuela Araújo disse...

Por fala em erros, PORTUGAL :)

G! disse...

a questão é saber se "estamos" atrasados ou se "somos" atrasados...em muita coisa somos e seremos sempre uns atrasados, nomeadamente na maneira como tratamos os animais, não vejo, apesar de esforços de alguns, grande evolução nesse capítulo.

G! disse...

a questão é saber se "estamos" atrasados ou se "somos" atrasados...em muita coisa somos e seremos sempre uns atrasados, nomeadamente na maneira como tratamos os animais, não vejo, apesar de esforços de alguns, grande evolução nesse capítulo.

ecila disse...

Manuela, também nao desisto de Portugal :-) Sem dúvida que temos muito a aprender com os outros. Insisto que beneficiariamos de aprender com os países do norte da Europa, em vez de nos virarmos para os EUA como é hábito. Engracado que até geograficamente o nariz de Portugal está virado para os EUA e costas para a Europa ;-)

Infelizmente, vou ser muito honesta agora, cada vez que aí vou nao vejo melhorias. Pelo contrário, a lista de erros para o ambiente e para o povo só tem vindo a aumentar. Parte-se-me o coracao a cada visita. Sao aberracoes seguidas de aberracoes. Poucos lutam e os que lutam encontram uma arrogancia colonial em quem manda. É ridiculo. E muito triste.

ecila disse...

G! tens razao. O pior é que em Portugal as pessoas andam entretidas com o futebol, as novelas e as celebridades (who the f* cares?). A televisao é a droga de Portugal, mantém tudo dormente e a pensar como carneiros. Na verdade, estupidifica. Quando falo com alguém sobre politica o que ouco sao papagaios, onde está o pensamento critico? Ouco aquilo que ouvi no telejornal do dia ou li no jornal da bancada. Frases feitas. As pessoas nao lêm livros e essa falha é o mais forte indutor de atraso que existe.

Helena disse...

Ecila,
(embora duvide que vais ler este comentário)

Só agora li o post, e fiquei a pensar se seremos vizinhas.
Em que cidade moras?

(Bela descrição!)

ecila disse...

Helena, nao somos vizinhas, porque (infelizmente) nao moro em Berlim. Talvez para o ano quem sabe :-))

Anônimo disse...

Por que nao:)