"A Assembleia Legislativa aprovou hoje por unanimidade o decreto legislativo regional que “declara a Região Autónoma da Madeira zona livre de cultivo de variedades de Organismos Geneticamente Modificados (OGM)”.
“É proibida a introdução de material de propagação, vegetativo ou seminal, que contenha organismos geneticamente modificados no território da Região Autónoma da Madeira, assim como a sua utilização na agricultura”, estabelece o diploma.
“Constitui contra-ordenação punível com coima cujo montante é de 250,00 euros e máximo de 3.740,00 euros ou mínimo de 2.500,00 euros e máximo de 44.800,00 euros, consoante o agente seja pessoa singular ou coletiva”, fixa o decreto legislativo regional.
A Assembleia Legislativa aprovou hoje, em segunda deliberação, o diploma porque o primeiro, aprovado a 14 de Fevereiro, fora devolvido à Assembleia Legislativa para reapreciação pelo Representante da República.
Segundo o Representante da República, o diploma então aprovado contrariava a “primazia do Direito Comunitário sobre os Direitos Nacionais” designadamente a exigência da “comunicação prévia à Comissão Europeia de qualquer projeto legislativo respeitante a regras técnicas, desde logo, quando nele se pretendem introduzir regras de cariz inovatório”.
O deputado do PSD-M, Vicente Pestana, adiantou no plenário que a “situação de incumprimento da legalidade comunitária” tinha sido ultrapassada porque a 3 de Abril o Governo Regional notificou a Comissão Europeia das razões pelas quais tornava a Região uma zona livre de OGM e que Comissão, ao não se pronunciar até 4 de maio, acabou por deferir, tacitamente, o diploma.
“A extrema riqueza genética vegetal (não só em termos de espécies ornamentais e florestais, como, igualmente, em termos de variedades de espécies agronómicas) da Região, cujo valor científico e económico é incontornável, aconselha, tendo por base o princípio da precaução, a não introdução de material com OGM”, explica o diploma no seu preâmbulo."
Notícia de última hora do Jornal da Madeira
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
A Lua Em Ti - Documentário da Semana #3
Vamos abordar um tema de que não se fala. O período. Um fenómeno biológico normal. Porque não se fala na menstruação? Não sei. Dá-se o nome de Benfica, altura do mês, visita, tudo como um segredo. Chiuuu.
Por acaso, eu falo bastantes vezes nele, porque sofro dores muito fortes, talvez genético, uma herança que dispensava. Ninguém me sabe explicar o porquê das dores. Há uns anos frequentei aulas de dança do ventre e não me lembro se as dores diminuíram ou não. Depois de ver este documentário, vou iniciá-las outra vez. Aquilo até era giro e parece que tenho jeito. O que não é difícil na Alemanha (he he he...sério). Também tenho investigado relatos de pessoas que dizem ter diminuido as dores através de outros métodos, como nutrição, certo tipo de exercícios, etc. Vou experimentando até encontrar a solução. Se algo resultar, digo-vos, nem que a solução seja fazer o pino vestida de verde a cada terceira lua nova (já que tenho uma lua em mim), porque estas coisas são para partilhar.
Este é um documentário para todos. Chhiuu. Sobre aquilo que ninguém fala.
Trailer em espanhol:
La luna en ti from Yorokobu on Vimeo.
Resumo em inglês: "Like many other women, Diana has been suffering from problematic periods for years. With every new cycle, the same question arises: “Why the pain and annoyance if I am healthy?” Her initial innocent curiosity sparks off an emotional voyage to the very roots of femininity and life. "The Moon Inside You" is a fresh look at a taboo that defines the political and social reality of both women and men in a more profound way than society might be willing to admit. Facing the menstrual etiquette with doses of humour and self-irony, the documentary approaches the subject through both personal and collective references, thus challenging our preconceived idea of womanhood."
Documentário "The Moon Inside You" completo, com legendas em inglês:
Chhhiuu...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Um vislumbre do futuro
Tan Le apresenta-nos a sua impressionante tecnologia: um interface para a cabeça que "lê" as ondas cerebrais e que através de um feedback neuronal nos permite manipular certos objectos e movimentos. A não perder. Absolutamente.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Quintas na janela e divagações de uma aprendiz de jardinagem urbana
Viver em cidades, em apartamentos de rendas altas, de tamanho reduzido, tem as suas desvantagens para quem, como eu, tenta praticar um pouco de agricultura urbana. Falta espaço, condições climatéricas, são necessários uma série de requisitos que nos faz suspirar por um quintal ou um jardim. No entanto, que não se pense que é demasiado complicado, porque não é. Tem que se ter o básico (vasos, terra, plantas, água, luz) e muito amor no coração (ha ha ha). É muito bom quando pessoas inteligentes arranjam soluções para os coitados dos citadinos. O projecto Nova Iorquino Windowfarms baseia-se numa excelente ideia para aproveitar ao máximo a luz e o espaço que se tem num apartamento de cidade. Também uma boa ideia para implementar nas aulas de trabalhos manuais nas escolas e assim contribuir para que as criancas se envolvam na plantação e produção da própria comida (mais fresca, logo mais saudável). Ainda não pus mãos à obra, mas assim que possa lá irei em busca dos materiais necessários e dedicar-me à bricolage. Como tento reduzir ao máximo o desperdício de plástico, não tenho garrafas de plástico. Melhor ainda, pois alguém me irá fornecer as ditas e como tal, contribuir para redução da poluição plástica (o plástico, além de ser feito com petróleo – não se vão libertar dele tão cedo -, é dos materiais mais prejudiciais ao planeta). Ainda não sei o que plantar nessas quintas-de-janela, mas comprei umas sementes de uma série de plantas comestiveis que estavam em desconto no supermercado biológico. Vão ter que ser essas. Também insisto em plantar abacates, apesar de saber que muito dificilmente irão dar fruto (missão realmente impossível), mas que fazer com tantas sementes de abacate? Já dei algumas a família, amigos e eles espalharam que faço colecção. Podem vir buscar sempre que quiserem. Curiosamente, rebentam e crescem e fazem plantas bonitinhas, mas frutos que é bom, nadinha. Sem plantar a semente na terra é só mesmo colecção (acho que no próximo dia de jardinagem de guerrilha levo algumas sementes de abacate). Uma ideia muito didáctica também para crianças como podem ver aqui, ajudando-as a compreender os ciclos de nascimento e desenvolvimento na natureza. Já o meu morangueiro de quatro folhas (ok, é capaz de ter mais umas duas folhinhas, afinal custou 50 cêntimos no mercado) deu dois morangos!!! Não sabia que tal era possível. Deve ser o tal amor (ícon de bonequinho a piscar o olho - li algures que não fica bem pôr essas coisas em textos de blogs). Enfim, gosto muito disto.
Abaixo poderão ver alguns vídeos sobre o projecto Windowfarms
Aqui as instruções de como construir uma quinta-de-janela.
Abaixo, como plantar sementes de abacate:
domingo, 18 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
A minha rua
Os prédios não têm mais do que 4/5 andares e possuem jardins ou pátios interiores com árvores, para uso de todos os habitantes do prédio (um costume antigo que em Portugal, tem sido substituido por mais betão e vista para o prédio em frente). Não existem marquises, as casas com varanda são as mais procuradas e quem as tem, não as quer fechadas (apesar da quantidade abundante de chuva ao ano).
A rua em si começa com uma loja de surf que vende a minha marca preferida de roupa, seguida de duas preciosas livrarias de livros antigos. A seguir uma agência de viagens para destinos e percursos de aventura, depois um restaurante vegetariano, mais uma livraria, um jardim com dois espaços para as crianças brincarem (um para bébés, outro para mais graudos) e um espaço para jogar futebol, dois cafés com wireless, um deles serve o melhor prato de couscous que já comi. Tem, naturalmente, árvores enormes dos dois lados e pessoas a andar de bicicleta para irem a sítios (e não a irem a sítios para andar de bicicleta). No outro lado da rua, os donos do restaurante da esquina mantêm no passeio um prato com água para os cães dos clientes (muito comum por aqui), tem feito um calor a rondar os 35 graus. Os cães são permitidos em todos os parques e na maioria dos restaurantes e cafés. Estão também autorizados a viajar com os donos nos metros e nos autocarros. Todas as árvores (todas!) têm uma casinha de madeira para pássaros, colocadas pelos moradores da rua. Todos os espaços com terra em redor das árvores encontram-se cultivados com flores pelos moradores da rua. Os restaurantes não vegetarianos têm opções vegetarianas.
Na rua transversal, além de três supermercados normais, existem dois supermercados biológicos, um asiático e um turco. A 200 metros da minha casa encontra-se uma padaria biológica.
Aos Sábados, num parque para carros na rua à esquerda, organiza-se uma feira de artigos usados, em que se paga uma pequena quantia para vender aquilo que se tem a mais em casa.
Apenas mais uma rua comum numa cidade alemã.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Quando as imagens valem mil pensamentos
Andei pela minha cidade alemã preferida - Berlim - e fiquei alojada em frente a estas obras estimulantes de pensamento critico (sim sim), dignas de serem vistas ao vivo. Pertencem a Blu, um artista grafite italiano muito dentro de temas sócio-políticos.
*Imagens minhas
Depois li que Blu estava a pintar em Lisboa. A pintura de Lisboa é mais directa, não leva a interpretações diversas. Quer dizer o que diz. Nem imaginam o quanto estou em pulgas para vê-la ao vivo.
Imagem do site Crono
Blu é também conhecido pelas suas animações de grafite que são verdadeiramente impressionantes.
MUTO a wall-painted animation by BLU from blu on Vimeo.
Há coisas que me deixam sem palavras (cumprem o objectivo).
Quatro minutos de fama com Isabel Allende
Podem colocar legendas em português carregando onde diz "view subtitles" e escolhendo "portuguese". Vale a pena ver até o fim.
terça-feira, 22 de junho de 2010
O destino das baleias é responsabilidade de todos nós
Imagens do jornal Spiegel
Sabem que neste momento se decide o destino destas criaturas fascinantes? Numa conferência em Marrocos cheia de lobistas e pessoas sem escrúpulos (ler noticias recentes BBC e The Sunday Times). Discute-se se a caça a baleia deverá ser legalizada para os próximos 10 anos. A associação que desde sempre lutou na defesa das baleias marca a sua presença em grande: a Greenpeace. Na página da Greenpeace podem ler tudo sobre a luta contra o comércio e a matança de baleias e ainda fazer o download do processo a ser apresentado pela Greenpeace na conferência internacional de Marrocos. Ajudem a Avaaz a representar a opinião publica ao assinar a petição Baleias: Pressão Final para o fim da caça.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Buraco na Guatemala
Este buraco gigantesco parece uma daquelas brincadeiras que as pessoas reenviam sem verificar a sua veracidade. Neste caso, é verídico. O buraco apareceu no Domingo passado na cidade de Guatemala, depois da tempestade tropical Agatha.
Segundo geólogos a situação é perigosa (não parece nada). Tudo indica que a natureza apenas acelerou um processo já iniciado por acção humana. As causas incluem as caracteristicas de parte do subsolo da área ser de origem vulcânica ainda não solidificada em rocha e a construção urbana feita em cima de solos mal estudados. Adianta-se ainda a possibilidade de ocorrência de rebentamentos no sistema de tubulação e esgotos da cidade devido à chuva intensa.
Buraco (Dolina) em Guatemala em 2007Noticia no National Geographic
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Concerto Mozart para micróbios
Anton Stucki, fundador de uma pequena empresa alemã chamada Mundus, foi o maestro da ideia. Se Mozart tem um efeito positivo nas pessoas, então poderá ter um efeito positivo em outros organismos. Foi assim que uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) em Treuenbrietzen na Alemanha passou a usar musica de Mozart, na esperança de levar os micróbios que se alimentam de biomassa, a trabalhar mais arduamente. Já com resultados demonstrados na Áustria, em que uma ETAR conseguiu usar Mozart na redução de custos, o método terá que passar o teste na Alemanha.
As ondas sonoras das composições de Mozart, juntamente com a adição de oxigénio, promovem uma melhoria no desempenho dos micro-organismos para quebrar biosolidos. Como resultado, as ETAR podem poupar custos de energia e diminuir significativamente a quantidade de desperdício residual, que é muito dispendioso de tratar.
O processo baseia-se num sistema especial de stereo que reproduz as vibrações e os sons de uma sala de concertos. A renda do sistema custa 400 euros por mês e estima-se uma redução nos custos de vários milhares de euros ao ano.
Nada como ideias giras para nos pôr a ouvir Mozart no trabalho.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Clap Clap Clap
Discurso de Daniel Cohn-Bendit relativo às "ajudas" económicas fornecidas pela UE à Grecia:
Não tenho uma mente abstracta
Uma das melhores séries de todos os tempos. Épica, criativa, guião como nenhum outro, personagens de impacto memorável, internacional, alimentadora de debates, James ou Jack a eterna dúvida (não só da Kate), os maravilhosos sotaques, a fantasia, o mistério, tudo, tudo. Tudo, tudo que incrivelmente conseguiram estragar com o final: não percebi.
Isso chateia-me um pouco. Porque andava a queixar-me que não sabia o que ver para substituir Lost, que não haveria outra tão interessante outra vez, drama sincero da minha parte. E pronto, afinal não será nada assim, porque séries com maus finais é o que mais há. Até comentei que, pela primeira vez (tirando o Seinfeld) teria que comprar os DVDs da série toda. O que se passou com o "Lost" passa-se também com alguns livros. Podemos estar a ler um livro que julgamos ser uma revelação, uma obra-prima, finalmente algo que vale a pena. Mas depois o fim é um desastre, uma desilusão. E isso estraga toda a impressão que era suposto o livro ter deixado. Quando nos perguntam o que achámos, respondemos mais ou menos, passamos de nota 5 para uma nota 3. Um fenómeno que se deve a um processo cognitivo interessante, relacionado com o funcionamento da memória e que se chama "recency effect" ("efeito recente"?!?). Este processo consiste numa relevância desproporcionada que atribuímos a estímulos recentes, em detrimento de estímulos passados, i.e. os factos mais recentes são retidos na memória de uma forma desproporcional em relação aos anteriores, aumentando em duração e importância. Não tenho culpa, chama-se psicologia.
Como não ter que explicar nada a ninguém e obrigar a aceitar e calar? Com uma palavrinha apenas: religião. Pronto, é assim, foi tudo em sentido figurado, simbólico, cada qual interpreta à sua maneira. Pormenores não interessam, libertem-se dos pormenores e vejam o todo. Blá, blá, blá, somos todos um só e irmãos e vamo-nos abraçar sem fazer perguntas. Quem pensar muito não pertence ao grupo dos que fingem que entenderam o final.
Só tenho mais uma coisa a dizer: vá lá que não foi tudo um sonho!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Qual será a justificação agora
As forças militares israelitas atacaram uma frota de navios activistas em águas internacionais que transportavam ajuda para a zona de Gaza, matando pelo menos 10 pessoas e ferindo muitas outras. A bordo eram transportados cerca de 10.000 toneladas de material de auxilio, como centenas de casas pré-fabricadas, 500 cadeiras de roda e equipamento médico.
Os activistas incluíam dezenas de políticos europeus (de esquerda) e outras figuras proeminentes como a Nobel da Paz Mairead Corrigan Maguire da Irlanda do Norte.
E agora, qual vai ser a desculpa?
Noticia e fotos aqui, aqui, aqui, aqui (live)
Em português só encontrei ainda a noticia no Público (que de manhã já mostrava a noticia na primeira página online).
domingo, 30 de maio de 2010
Estrela Afegã - Documentário da Semana #2
Já tinha escrito sobre este documentário aqui (onde poderão ler sobre o que trata o doc), mas só agora consegui encontrá-lo online (em inglês). Raras são as vezes que ouvimos falar no Afeganistão sem ser relacionado com guerras. Simplesmente fica longe, num país que cria problemas e que está cheio de fanáticos. É a nossa saída fácil de absorver apenas o que nos dão. Não temos a possibilidade de ver as pessoas, entender como elas vivem, o que as faz rir, as tradições, os limites, a cultura. Este documentário permite-nos observar o flagelo da guerra, as causas e as memórias marcantes de um povo exausto, mas cheio de esperança e de sonhos. Apesar do longo caminho a percorrer para combater a extrema desigualdade e injustiça, no Afeganistão a vontade é grande, há pessoas com muito valor, existe muito coração, muitas lágrimas e muito riso. No entanto, pouca musica e nenhuma dança. O programa de televisão Os Ídolos veio mudar isso. As reacções foram, por vezes, chocantes para nós europeus. Um documentário impressionante. Aconcheguem-se :-)
Primeira parte no youtube (tinham a série toda, mas esta semana desapareceu):
Podem ver o documentário na integra no megavideo
"Afghan Star" ganhou o prémio de audiência e de direcção do festival Sundance 2009.
Site oficial aqui.A seguir, para contextualizar a luta dos músicos (principalmente das mulheres) no Afeganistão, podem ver aqui a curta reportagem do Journeyman Pictures sobre Mariam, uma cantora afegã com 19 anos de idade que vive neste momento na Alemanha.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
V
Lembram-se da série "V - A batalha final" original dos anos 80 (acho)? Voltou, mas muito, muito melhor.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Nova abordagem no combate ao cancro
William Li apresenta uma nova abordagem ao tratamento do cancro e outras doenças: a Anti-angiogenesis (anti-angiogênese?), que previne o crescimento dos vasos sanguíneos que alimentam o tumor. O passo mais importante neste processo: comer alimentos anti-cancerígenos que impedem o crescimento de vasos sanguíneos fornecedores do tumor e combatem o cancro usando o seu próprio jogo.
William Li está à frente da Fundação Angiogenese, uma fundação sem fins lucrativos que visa re-conceptualizar a luta contra as doenças de forma global: integrando doentes, médicos e profissionais de saúde através da partilha de conhecimento sobre tratamentos baseados em angiogenese, dietas e estilos de vida.
Muitas das doenças mais devastadoras da nossa sociedade - cancro, doenças cardiovasculares, diabetes, Alzheimer, etc - têm um denominador comum: uma problemática de angiogênese - crescimento de novos vasos capilares (a partir dos já existentes). As complicações de saúde surgem devido a um crescimento excessivo ou insuficiente de vasos capilares. Em conjunto com o cirurgião (de Harvard) Judah Folkman que foi pioneiro no estudo da angiogênese, William Li aprendeu que os tratamentos baseados neste processo ajudam os doentes a curar várias doenças pois reestabelecem o balanço no crescimento de vasos sanguíneos.
Textos originais aqui e aqui
Abaixo poderão ver a sua apresentação no TED:
Reparem no contributo dos animais nesta descoberta. Não através da experimentação animal comum (frequentemente de forma inútil, como lemos aqui), mas experimentando esta nova terapia em animais de estimação e outros que iriam ser eutanizados por terem tumores graves. Isto é o que eu chamo de aproveitamento inteligente e ético-moral de recursos. Verificou-se uma melhoria das suas condições em 60% dos casos (incluindo o caso de sucesso do golfinho Guiness com 20 anos de idade).
Encontram abaixo a lista de substâncias antiangiogenicas apresentadas por William Li e disponível no site do TED:
"Imagine that one medical advancement held the promise to conquer cancer, perhaps within your lifetime … the potential to also end more than 70 of life's most threatening conditions, affecting one billion people worldwide. This is the promise of angiogenesis, the first medical revolution of the 21st century."
William Li
Esperemos que ele tenha razão.
domingo, 16 de maio de 2010
Alimentação SA - Documentário da Semana #1
Seguindo a boa tradição de Jellyfish de publicar uma animação todos os sábados - Saturday Morning Cartoon - vou tentar publicar um documentário todos os Domingos. Isto porque o Domingo à noite é a altura perfeita para nos aconchegarmos no sofá e ver um documentário interessante que nos estimule a mente e nos proporcione conversa de café suficiente para o resto da semana.
Além dos documentários já publicados aqui - imprescindiveis - e o excelente filme Network, vão ter disponível todos os Domingos, um documentário/filme que estimule o raciocínio (pelo menos vou tentar). A partir de hoje temos a rubrica (uh lá lá) Documentário da Semana.
Sempre que possível tentarei arranjar videos com legendas em português. Sempre que possível tentarei arranjar links para se ver o documentário inteiro online, mas haverá documentários em que só o trailer estará disponível e ficarei eternamente agradecida a quem me encontrar o link do vídeo inteiro (sem cooperação não somos abelhas não somos nada).
Conto com a vossa excelente capacidade de critica ao verem seja o que for, isso também inclui documentários.
Para hoje escolhi o documentário Alimentação SA (Food Inc) finalmente com legendas em português graças à querida Plataforma Transgénicos Fora. Já o tinha mencionado há um ano aqui, mas levou um tempo até o conseguir encontrar online com legendas. Este doc demorou três anos a ser feito, ganhou vários prémios e foi nomeado para melhor documentário do Óscar 2010. Como o titulo faz transparecer o filme foca os problemas da actual industrialização alimentar, desde a carne aos vegetais (como milho e soja) e as suas consequências na saúde. Com uma forte campanha de marketing, Food Inc tornou-se num dos mais polémicos documentários da actualidade. Aconcheguem-se :)
Site oficial do filme: "não voltarão a olhar para o jantar da mesma forma"
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Tudo tem um caminho
A minha paixão pelas abelhas começou já tarde, durante uma árdua sessão de estudo da disciplina "Behaviour and Cognition", no segundo semestre do mestrado mais duro que imagino ser possível. Lembro-me exactamente do nascimento da paixão, a horas muito tardias, sentada na secretária virada para a janela. Era Primavera, mas para mim era indiferente, pois só saia do quarto para ir à biblioteca ou ao supermercado. Faltava pouco para o começo do dia. No meio de centenas de paginas para decorar, entender e assimilar, encontrei um assunto que nas aulas me tinha passado despercebido. O comportamento das abelhas. Até recordo a primeira página, com os esquemas da dança-comunicação e do sistema de orientação solar destes pequenos seres. Ao ler sobre o assunto o meu estado de cansaço foi lentamente transformado em agitação interior, fascínio, autêntica admiração e surpresa. Aquilo que lia ultrapassava tudo o que tinha lido pertencente à disciplina até então. E recordo ter olhado para a janela e o dia nascia. Olhei para todo aquele verde, para as flores que livremente cresciam, ainda sem saberem que em breve seriam cortadas rentes, disciplinadamente pelo jardineiro da faculdade, uma rotina de que não gostava nada (mesmo que talvez necessária) e observei a imagem com outros olhos. Tinha encontrado um assunto que me apaixonava. Memorizei tudo relativo às abelhas logo à primeira leitura. Ao contrario de todos os outros assuntos, este foi absorvido pelo meu cérebro, como se tivesse encontrado água no deserto. Falei sobre as abelhas a todos que me rodeavam, desde pessoas que nunca tinham pensado em abelhas (a não ser como associação a vespas e logo incluídas no saco de importunas e perigosas) a pessoas que, como eu, tiveram que as estudar para o mesmo exame. Se aquele exame tivesse sido só sobre abelhas, teria tido a nota máxima. Infelizmente, apenas me valeu uma elaborada resposta, à qual, soube mais tarde, foi cotada com o valor total. Desde então, tenho acumulado alguma informação sobre o comportamento e a vida das abelhas. Durante algum tempo, enquanto necessitava de decidir qual a área a seguir para carreira, informei-me (sonhadora) sobre os poucos laboratórios que estudam as abelhas na Alemanha. Mas a realidade chamou por mim, e acabei por seguir o caminho lógico.
Por vezes, ainda me sai da boca excertos desta paixão, basta a palavra mágica "abelhas". Principalmente se é dita em contexto de repulsa. Não me contenho, metralho um sumário sobre a vida fascinante destes pequenos seres com apenas (aproximadamente) um milhão de neurónios. Tudo dito com os olhos brilhantes da paixão que tento disfarçar, mas que sinto. Faço o possível para que aquela pessoa não volte a olhar para estes pequenos seres de grandes olhos (ocupando a maior parte da cabecinha pequena) e fofinhos como os gatinhos fofinhos (são cobertas de penugem à qual se prende o pólen) da mesma maneira. A partir daquele momento, tenho esperanças que a próxima vez que vejam uma abelha lhes passe pela cabeça parte daquele conhecimento que adquiriram e não a tratem como uma vespa (não tenho nada contra as vespas, embora já tenha sido picada por culpa minha).
Quando li a primeira noticia sobre o dramático colapso das colónias de abelhas, há cerca de 4/5 anos, senti literalmente o coração a partir-se-me (Só nos EUA verificou-se um declínio de mais de 70% das abelhas no ano 2006). Comecei a ler sobre as possíveis causas para tal tragédia. Assim, foram as abelhas que me dirigiram para o actual interesse sobre as plantas geneticamente modificadas. Tudo tem um caminho.
No dia a sequir a ter publicado o post "Jardinagem na cozinha", sentei-me à secretária para trabalhar e quando me ia levantar para ir à cozinha, vi uma mancha escura no chão. Que porcaria é esta, pensei. Aproximei-me para ver melhor e de repente a mancha mexeu-se um pouco. Distingui uma patinha num amontoado escuro de penugem. Era uma abelha. Nunca tinha tido uma abelha em casa. E de repente lembrei-me: as flores do post que publiquei. Tenho plantas de flores na varanda, mas estas plantas do post tenho-as na parte de dentro da janela da cozinha, porque são comestíveis. Lembrei-me de ter visto uma abelha tentar entrar pela janela da cozinha, mas na altura apenas fechei a janela e não fiz a conexão. O bichinho contorcia-se sobre si muito lentamente. Não faço ideia como chegou aos meus pés, pois não a vi voar, não a tinha visto dentro de casa seja onde for. Veio morrer aos meus pés. Não ao pé dos vasos, não ao pé das janelas. Aos meus pés. Não sei quanto tempo esteve ali moribunda. Calculo que de alguma forma tenha entrado pela janela da cozinha, mas depois não tenha conseguido sair. Ainda tentei cuidadosamente (para minha protecção também) levantá-la, mas já não havia nada a fazer. As abelhas são bichinhos extremamente vulneráveis (não sobrevivem a uma noite fora da colmeia). Coloquei-a em cima de um papel e atirei o seu corpo já sem vida pela janela. A seguir pus as plantas com flor na varanda. Para esta abelha isso já não interessava. Menos uma.
Por vezes, ainda me sai da boca excertos desta paixão, basta a palavra mágica "abelhas". Principalmente se é dita em contexto de repulsa. Não me contenho, metralho um sumário sobre a vida fascinante destes pequenos seres com apenas (aproximadamente) um milhão de neurónios. Tudo dito com os olhos brilhantes da paixão que tento disfarçar, mas que sinto. Faço o possível para que aquela pessoa não volte a olhar para estes pequenos seres de grandes olhos (ocupando a maior parte da cabecinha pequena) e fofinhos como os gatinhos fofinhos (são cobertas de penugem à qual se prende o pólen) da mesma maneira. A partir daquele momento, tenho esperanças que a próxima vez que vejam uma abelha lhes passe pela cabeça parte daquele conhecimento que adquiriram e não a tratem como uma vespa (não tenho nada contra as vespas, embora já tenha sido picada por culpa minha).
Quando li a primeira noticia sobre o dramático colapso das colónias de abelhas, há cerca de 4/5 anos, senti literalmente o coração a partir-se-me (Só nos EUA verificou-se um declínio de mais de 70% das abelhas no ano 2006). Comecei a ler sobre as possíveis causas para tal tragédia. Assim, foram as abelhas que me dirigiram para o actual interesse sobre as plantas geneticamente modificadas. Tudo tem um caminho.
No dia a sequir a ter publicado o post "Jardinagem na cozinha", sentei-me à secretária para trabalhar e quando me ia levantar para ir à cozinha, vi uma mancha escura no chão. Que porcaria é esta, pensei. Aproximei-me para ver melhor e de repente a mancha mexeu-se um pouco. Distingui uma patinha num amontoado escuro de penugem. Era uma abelha. Nunca tinha tido uma abelha em casa. E de repente lembrei-me: as flores do post que publiquei. Tenho plantas de flores na varanda, mas estas plantas do post tenho-as na parte de dentro da janela da cozinha, porque são comestíveis. Lembrei-me de ter visto uma abelha tentar entrar pela janela da cozinha, mas na altura apenas fechei a janela e não fiz a conexão. O bichinho contorcia-se sobre si muito lentamente. Não faço ideia como chegou aos meus pés, pois não a vi voar, não a tinha visto dentro de casa seja onde for. Veio morrer aos meus pés. Não ao pé dos vasos, não ao pé das janelas. Aos meus pés. Não sei quanto tempo esteve ali moribunda. Calculo que de alguma forma tenha entrado pela janela da cozinha, mas depois não tenha conseguido sair. Ainda tentei cuidadosamente (para minha protecção também) levantá-la, mas já não havia nada a fazer. As abelhas são bichinhos extremamente vulneráveis (não sobrevivem a uma noite fora da colmeia). Coloquei-a em cima de um papel e atirei o seu corpo já sem vida pela janela. A seguir pus as plantas com flor na varanda. Para esta abelha isso já não interessava. Menos uma.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Paixões
Uma delas são as abelhas, as polinizadoras por excelência do planeta.
"An Unfinished Story" uma curta animação sobre Colony Collapse Disorder (CCD)
"An Unfinished Story" uma curta animação sobre Colony Collapse Disorder (CCD)
Coloquem as vossas plantas de flores na varanda, onde as abelhas lhes possam chegar. O seu numero tem descido assustadoramente e todo o pólen ajuda.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Querida Madeira
Foste a primeira!
"Last week, the commission quietly let the deadline pass for opposing Portugal’s request, allowing Madeira, which is one of Portugal’s autonomous regions, to become the first E.U. territory to get formal permission from Brussels to remain entirely free of genetically modified organisms.
(...)
Individual European countries and regions have banned certain genetically modified crops before. Many consumers and farmers in countries like Austria, France and Italy regard the crops as potentially dangerous and likely to contaminate organically produced food.
(...)
But the case of Madeira represents a significant landmark, because it is the first time the commission, which runs the day-to-day affairs of the European Union, has permitted a country to impose such a sweeping and definitive rejection of the technology.
The Madeirans’ main concerns focused on preserving the archipelago’s biodiversity and its forest of subtropical laurel trees.
Such forests, known as laurisilva, were once widespread on the European mainland but were wiped out thousands of years ago during an earlier period of climate change.
That has left Madeira with “much the largest extent of laurel forest surviving in the world, with a unique suite of plants and animals,” according to the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, which named the Madeiran laurisilva a World Heritage Site in 1999.
The “risk to nature presented by the deliberate release of GMOs is so dangerous and poses such a threat to the environmental and ecological health of Madeira, that it is not worthwhile risking their use, either directly in the agricultural sector or even on an experimental basis,” the Portuguese told the commission, using the acronym for genetically modified organisms."
O mais estranho na noticia é o seguinte:
"In an internal memorandum seen by the International Herald Tribune, the commission said it had let the deadline in the Madeira case pass without a formal assessment and more fanfare because that could “create misunderstandings and send confusing signals” at a time when Europe was reconsidering its approach to cultivating GMOs."
Ou seja, uma tentativa propositada da UE para silenciar o acontecimento. Serei a única a achar isto chocante, ofensivo para a população da UE que demonstra claramente o seu desagrado pelos OGM?
O artigo explica a pressão que a Monsanto tem exercido para a Europa aceitar os OGM:
"In reality, the Madeira case marks the unofficial beginning of a new — and potentially highly contentious — policy that would give European nations and regions far greater freedom to decide when to ban such crops."
"The policy would be aimed at overcoming an institutionalized stalemate in Europe that has left governments unable to reach decisions on whether to allow cultivation of new biotech products. "
"U.S. agricultural companies like Monsanto have long complained about lack of access to European markets and, in particular, about restrictions on cultivating crops."
Mais abaixo lemos a posição do organismo europeu para segurança alimentar:
"The commission’s decision to allow Madeira its ban came only four months after the European Food Safety Authority, the main body tasked with advising the commission on food safety, categorically recommended ignoring Portugal’s concerns about the effect of GMOs.
The agency concluded in January that, “no new scientific evidence, in terms of risk to human and animal health and the environment, was provided that would justify a prohibition of the cultivation of GM plants in the Autonomous Region of Madeira.”
E assim percebemos os verdadeiros interesses da autoridade europeia de segurança alimentar que são puramente económicos e visam apoiar as gigantes corporações de biotecnologia como a Monsanto.
Esta é uma luta pelos agricultores europeus. Pela saúde. Mas acima de tudo pela liberdade. Custa acreditar que no séc. XXI na Europa se queira acabar com a liberdade dos agricultores e dos cidadãos em cultivar os próprios alimentos e em proteger a nossa biodiversidade agrícola que é a base da saúde na Europa e no mundo. O que se está a passar com a democracia?
Dei uma volta pelos jornais portugueses online e não encontrei nada (surpresa das surpresas). O excerto relativo à UE "without fanfarre" quanto a espalhar a boa noticia nao é mais do que um bloqueio ao nosso direito de noticiar esta pequena vitoria contra os OGM (o que é muito preocupante). A noticia vem na media portuguesa ou anda tudo muito ocupado e entretido com o Benfica e o Papa (assuntos muito essenciais para o futuro dos portugueses)?
Podem ler a noticia completa no The New York Times aqui
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A primavera chegou
"Spring Landing" é uma ilustração maravilhosa e colorida do ilustrador romeno Matei Apostolescu.
Nem vos sei explicar o quanto adoro esta imagem, as cores, o movimento, o personagem a querer tocar o cardume de entes coloridos que se aproximam (a terra tambem se alevanta com a perspectiva), a água, o fluir. Consigo imaginar a fusão harmoniosa de tudo e ver o personagem a retirar, finalmente, o capacete e a respirar agradecido por uma nova fase de vida. Cada pessoa a seu jeito imagina o que virá. A minha imaginação culmina numa profunda inspiração de ar novo, a aproximação de uma mudança muito feliz.
Mais uma fantástica descoberta de Jellyfish.
Jardinagem na cozinha
Basilikum 
Nasturtium
Nasturtium
No mês passado fui a um mercado de flores e trouxe apenas plantas comestíveis. Estão todas alinhadas e felizes na janela da cozinha, onde dá o sol (quando há sol) durante a manhã. Ontem fiquei muito contente ao verificar que floriram! Não sabia que o Basilikum (alfavaca, manjericão) dava uma flor tão bonita. Nem o Nasturtium (não sei o nome em português). Cada vez gosto mais de jardinagem urbana. Quem diria? Os meus pais vão ficar encantados com esta nova faceta.
Adenda: parece que Chagas é o nome do Nasturtium em Portugal (obrigada Brikebrok)
Adenda: parece que Chagas é o nome do Nasturtium em Portugal (obrigada Brikebrok)
domingo, 9 de maio de 2010
O Monstro
O Monstro is the solo musical project of talented Portuguese musician, film director and illustrator António Maria, who is based in Macau, China. See below for a wonderful video he has directed for his song Capitão Balla (aka Captain Bullet):
t(h)ree
T(h)ree is a wonderful musical project that brings together, for the very first time, musicians from Portugal, Hong Kong and Macau. The sales of the album will be entirely donated to Unicef Hong Kong. In Macau the sales will be donated to: Anima and Na Terra.
If you want to buy the album, you can contact Bloom Creative Network at www.bloomland.cn/antonio@bloomland.cn
Below you can listen to the show by Hugo Pinto on Próximo Oriente featuring the music made in Portugal, Macau & Hong Kong, as well as an interview (in Portuguese) with the man behind this adventure, David Valentim:
Próximo Oriente - Edição 17.04.2010 by Hugo Pinto on Mixcloud
We have blogged about Hugo's show before, make sure you follow his mixtapes!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Nasci livre
Nasci livre. Sem partidos, sem clubes futebolísticos, sem irmandades, sem religião, sem clubes VIPs. A única coisa da qual não me pude livrar à nascença foi da genética fornecida pelos meus pais. Ainda que procure combatê-la quando dela tenho consciência, a genética é a verdadeira prisão. No topo de tudo isto tive a sorte de ter uma educação muito livre, nunca me foi imposto nenhum partido, nenhuma religião, nenhum clube, nem nenhuma irmandade. Fui sempre incentivada a pensar por mim e fi-lo o mais que pude, embora obviamente que como complexas esponjas que somos, absorvi algumas ideias que me rodeavam (mesmo as que não vinham dos meus pais, o que na adolescência dá inicio à turbulenta emancipação). Continuei livre o mais que me foi possível, mas fui moldada pela cultura, pela imposição de papéis sociais (uma adquirida injusta dor de cabeça), pela televisão (o instrumento excelência da propaganda, ou não vivesse eu em Portugal; pelo menos na casa de banho consigo ouvir os meus pensamentos – em breve alguém se lembrará de pôr pequenos ecrãs nas portas em frente às sanitas), embora a um nível mínimo quando comparando com a maioria das pessoas que conheço.
Por isso, sei que sou livre, mas não me sinto livre. O que já não é mau. Visto que a maioria nem sabe que é livre.
Por isso, sei que sou livre, mas não me sinto livre. O que já não é mau. Visto que a maioria nem sabe que é livre.
Durante toda a minha vida adulta tenho sido incrivelmente pressionada (mesmo incrivelmente, por vezes nem dá para acreditar nos meus ouvidos e olhos) a categorizar os meus pensamentos e acções, a comportar-me de acordo com expectativas sociais ridículas, a pensar como os rebanhos, a aceitar sem questionar, a aprisionar-me àquilo de que era livre à nascença.
Todas estas coisas que a maioria considera como parte dos humanos não o são. São-no porque nos são impostas a ferro e fogo, em alguns locais metaforicamente, noutros literalmente.
Acho estranho – estranho como se fosse marciana – quando vejo pessoas a agredirem-se porque um é do Benfica e o outro do Sporting, ou quando patologicamente acreditam que o seu sangue é azul e não vermelho (sério que isto devia entrar para os sintomas de diagnóstico de esquizofrenia... espera… sim! faz parte dos critérios de diagnóstico!), quando passam uma vida a tentar encaixar em papéis sociais que apenas os inferiorizam e prejudicam (inteligente seria tentar encaixar em papéis que os superiorizam, mas pronto), quando alguém se recusa a pensar por si para poder pertencer ao tal clube, religião, irmandade (embora isto até possa ser uma jogada espertinha, e.g. em Portugal é o que mais abre portas, mais do que qualquer outro critério). Observo como o poder corrompe (a maior verdade que aprendi a viver no mundo dos adultos) e como as pessoas se esquecem da morte e de que não são eternas (evitem adiar muitas vezes “para a próxima”).
Nasci livre e fui durante muito tempo livre e extremamente feliz, alheia a todos estas diferenciações inventadas pelas patologias humanas. Depois de uma fase adulta de tentativa de formatação (que começou lenta e subtilmente com a primeira frase vinda da minha querida avó sobre as meninas não brincarem na rua, e teve o seu auge nos meus anos 20 - também tive uns anos 20, nao foi só a história humana), hoje faço um esforço grande para cada vez mais, ser a tal pessoa livre e feliz - o meu verdadeiro eu. Sou sortuda por possuir uma tendência para sentir felicidade, graças à liberdade que me foi dada na infância (quem não a teve, terá mais dificuldade – culpem a química do desenvolvimento cerebral).
Felicidade é aquele conceito abstracto que os humanos adoram, amam divagar sobre. E como humana que sou, aqui vai a minha divagação: felicidade anda de braço dado com a liberdade. Quanto mais livre, mais feliz. Seja uma liberdade interior, vinda da simplicidade, até por vezes da ignorância (que não é nada santa, apenas apaziguadora de espírito) ou vinda do conhecimento, da verdade, dessa sede contínua. Seja uma liberdade exterior, poder agir, poder andar livremente na rua, nos campos, sem amarras e sem medo (não ter medo é das maiores liberdades, daí a media investir tanto em estimular medo nas pessoas, pois esta é, como todos sabemos, a melhor forma de manipular opiniões). Também a liberdade de não aceitar amarras absurdas, de não calar, de dizer não com firmeza, ou sim com vontade. Tudo isso liberta a pessoa "que há em si". Não leio sobre o assunto. Os meus interesses profissionais são mais cognições sociais e culturais. No entanto, de acordo com experiência clínica no campo das patologias psíquicas, tenho cá para mim (gosto desta pateta expressão, isto no tradutor Google não vai ser fácil) que, com base numa boa auto-estima, liberdade e felicidade andam de mãos dadas. Claro que sem uma boa auto-estima será tudo muito complicado, quer a liberdade, quer a felicidade. Porque as crenças disfuncionais andam de mão dada com a falta de auto-estima e crenças disfuncionais levam a depressão e a outras patologias. Enfim, nem vou por aí agora, porque isto é o mundo fascinante das associações (de andar de mão dada). É só para dizer (pois algures já me perdi e vocês também) que não há clubes (“it’s all in you head”). Que gostava de ver mais estudos científicos para provar falta de diferenças (pois). Não há amarras bizarras que não sejam as cerebrais e as genéticas (já por si bizarras o suficiente). Tudo o resto é miragem.
Felicidade é aquele conceito abstracto que os humanos adoram, amam divagar sobre. E como humana que sou, aqui vai a minha divagação: felicidade anda de braço dado com a liberdade. Quanto mais livre, mais feliz. Seja uma liberdade interior, vinda da simplicidade, até por vezes da ignorância (que não é nada santa, apenas apaziguadora de espírito) ou vinda do conhecimento, da verdade, dessa sede contínua. Seja uma liberdade exterior, poder agir, poder andar livremente na rua, nos campos, sem amarras e sem medo (não ter medo é das maiores liberdades, daí a media investir tanto em estimular medo nas pessoas, pois esta é, como todos sabemos, a melhor forma de manipular opiniões). Também a liberdade de não aceitar amarras absurdas, de não calar, de dizer não com firmeza, ou sim com vontade. Tudo isso liberta a pessoa "que há em si". Não leio sobre o assunto. Os meus interesses profissionais são mais cognições sociais e culturais. No entanto, de acordo com experiência clínica no campo das patologias psíquicas, tenho cá para mim (gosto desta pateta expressão, isto no tradutor Google não vai ser fácil) que, com base numa boa auto-estima, liberdade e felicidade andam de mãos dadas. Claro que sem uma boa auto-estima será tudo muito complicado, quer a liberdade, quer a felicidade. Porque as crenças disfuncionais andam de mão dada com a falta de auto-estima e crenças disfuncionais levam a depressão e a outras patologias. Enfim, nem vou por aí agora, porque isto é o mundo fascinante das associações (de andar de mão dada). É só para dizer (pois algures já me perdi e vocês também) que não há clubes (“it’s all in you head”). Que gostava de ver mais estudos científicos para provar falta de diferenças (pois). Não há amarras bizarras que não sejam as cerebrais e as genéticas (já por si bizarras o suficiente). Tudo o resto é miragem.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Seria estranho
se re-publicasse todos os posts do blog Segunda Lingua? É que dá mesmo vontade, com titulos e tudo.
Mais uma vez, não poderia estar mais de acordo.
"out on the edge you see all kinds of things you can’t see from the center*
Portugal não é a Grécia. A Espanha não é a Grécia e eu já não sei bem se a Grécia é a Grécia. O abismo parece resumir-se a uma questão de fé e de medo. Uma religião, portanto. As religiões são assim: mal nos livramos de uma logo outra ocupa o seu lugar.
*Kurt Vonnegut"
Mais uma vez, não poderia estar mais de acordo.
sábado, 1 de maio de 2010
Vai mas é plantar girassois
Hoje grande dia 1 de Maio juntem-se em grupos e plantem girassois em todos os recantos abandonados que encontrem. Vejam os detalhes na página do The Guerrilla Gardening.
Como não me estava a ver ir sozinha plantar girassois na Alemanha ("estrangeira apanhada a plantar girassois no centro da cidade" ha ha ha) tentei encontrar pessoas que quisessem participar. Estranhos, porque os meus amigos daqui não sentem as mesmas motivações (não me julguem por com quem ando, esse é o meu lema). Embora sejam uns queridos claro. Não recebi resposta até ontem e só vi o mail agora. Já telefonei e lá vamos nós, dois gatos pingados desconhecidos, armados de sementes, água e ancinho para plantar nos sítios livres que encontremos pela cidade (não devem ser muitos). Acho que acabei de iniciar a guerrilla-gardening na cidade alemã onde vivo (ena!). Nao é uma ideia muito original na Alemanha, porque sinceramente, as pessoas aqui fazem muito guerrilla gardening. Para os alemães é apenas normal plantar flores em qualquer sitio com terra perto de casa. Vejo isso por todo o lado e vejo os meus vizinhos alemães fazerem o mesmo. Calculo que este evento faça mais sentido em Portugal, por exemplo, países onde as cidades são grandes blocos de betão e as pessoas perderam a ligação à terra. De qualquer forma, cá vou pelo simbolismo do evento. E eu a pensar que ia passar o dia 1 de Maio em frente ao computador a trabalhar...
Para quem, como eu, não faz a mínima ideia de como estas coisas funcionam vejam o vídeo abaixo. Pelos vistos não há nada mais fácil.
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